Uma nova visão de viver e de se fazer Justiça

Em 14/03/2018 , Comments

Direito Sistêmico

Cada dia, mais Tribunais de Justiça aderem ao Direito Sistêmico, baseado na Constelação Familiar, na busca de pacificação de conflitos, com uma abordagem sistêmica, com um viés terapêutico, desde a elaboração das leis até suas aplicações concretas. O Direito Sistêmico se propõe a utilizar o Direito como um mecanismo de tratamento para as questões que geram conflitos, tendo como horizonte a saúde de um sistema que leva as pessoas a apenas competir pelas suas questões processuais.

 

O que tem a ver Direito e Constelação?

Bem, vamos começar com Bert Hellinger. Em linhas gerais, ele trouxe à luz as leis que regem as relações humanas e, assim, criou a terapia Constelação Familiar. Nela, as pessoas, de maneira bastante eficaz, conseguem solucionar as suas questões pessoais advindas dessas relações. Até aqui, tudo certo.

O Juiz de Direito do Tribunal de Justiça da Bahia, Dr. Sami Storch, antes mesmo de ser magistrado, conheceu a terapia de Bert Hellinger e viu nela um imenso potencial para a utilização na área jurídica. Assim, em 2006, quando ingressou na magistratura, Dr. Sami iniciou o seu primeiro curso de Constelação Familiar. Ele começou a se utilizar do método durante as audiências nas ações judiciais da área de família. Posteriormente introduziu meditações e exercícios de Constelação propriamente ditos, com representantes, e vem realizando experiências também na área criminal e na de infância e juventude.

Então, Dr. Sami (criador da expressão “Direito Sistêmico”) usa a Constelação Familiar na compreensão das dinâmicas existentes nos conflitos com os quais os profissionais da Justiça lidam, assim como na busca da melhor solução em cada caso. Aqui, temos o que liga a Constelação ao Direito: o Direito, quando faz uso da Constelação na resolução de conflitos, cria a oportunidade para que os envolvidos possam conversar e entender a real causa da questão, de modo a restaurar a harmonia e o equilíbrio entre todos.

 

Leis jurídicas e leis da constelação

Sendo as leis jurídicas relacionadas a um paradigma competitivo, o Direito Sistêmico, com a assistência das leis sistêmicas, vem o substituindo por um paradigma cooperativo-compassivo. Ou seja, a Constelação auxilia na condução de cada caso, no julgamento de processo ou em audiências, onde as partes confrontadas com a real causa do conflito, que, via de regra, está oculta, passam de uma postura litigante a uma posição consensual. Assim, o Juiz atua muito mais como um conciliador e um mediador, proferindo sentenças pacificadoras.

 

O oculto

Quando falamos das ‘causas ocultas’, ou ‘ordens ocultas’, segundo Bert Hellinger, estamos nos referindo a às “Ordens do Amor”, as quais permitem a ampla compreensão das dinâmicas dos conflitos e da violência, muito além do que parece ser. Isso, de fato, facilita o julgador, em cada caso, a adotar um posicionamento em favor da pacificação entre os envolvidos e suas relações. Para os profissionais do Direito e das áreas correlatas conhecer as “Ordens do Amor” da Constelação Familiar, os farão perceber que elas agem e se refletem de modo natural nos mais diversos meios da vida, inclusive o profissional.

 

Quais são as “Ordens do Amor”?

Resumidamente, as “Ordens do Amor” ou Leis Sistêmicas, são três: a Lei do Pertencimento, a Lei da Hierarquia e a Lei da Troca. A primeira nos diz que todos têm o direito de pertencer a um grupo como a família, sem absolutamente qualquer tipo de exclusão. Todos devem e precisam ser incluídos, reconhecidos e amados. A segunda nos indica que os mais velhos têm preferência sobre os mais novos, fazendo com que haja um respeito hierárquico entre os membros de uma família. A terceira nos mostra que é preciso ter um equilíbrio entre o dar e o receber, de modo que não haja um sentimento de dívida, mas de amor entre os membros da família envolvidas em trocas. Doa-se amor, recebe-se amor. Todos se beneficiam.

 

E quando a Constelação pode ser aplicada?

Um bom momento para realizar a prática dentro da esfera processual é antes da uma audiência de conciliação ou de mediação. As partes envolvidas em um processo judicial são convidadas e não intimadas a comparecerem à dinâmica. Nela, os envolvidos conseguem ver melhor o emaranhamento em que estão. As partes têm uma visão profunda da questão e também do sistema familiar de cada uma, ficando propensas a um acordo amigável.

 

Reconhecimento

No final do ano de 2016, o Conselho Nacional de Justiça reconheceu a importância e os benefícios que a Justiça tem ao utilizar a Constelação Familiar, constatando que quando uma das partes participa da dinâmica sistêmica antes de uma audiência de mediação, um crescente índice de acordos nos processos é alcançado.

 

Compreender o outro

O Direito Sistêmico, reiterando, vem para mudar o paradigma de competitivo para o cooperativo-compassivo. A prática desse direito mostra, de forma imparcial, clara e inequívoca, a real causa do conflito, fazendo com que as partes se compreendam mutuamente. Desse modo, juízes, advogados e servidores, assim como todos os envolvidos para a resolução da questão ajam como conciliadores e mediadores, trazendo a paz, o equilíbrio e a harmonia a todos.

 

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