Todas as coisas vêm a ter um fim. Nós também

Em 21/03/2018 , Comments

A fuga

Nos, os humanos, somos habilíssimos em mascarar ou fugir da realidade que nos cerca, quando esta nos faz, de alguma maneira, sofrer. Arranjamos uma desculpa, algum culpado ou alguma razão para não olharmos para o que se apresenta. Assim é com o fim das coisas ou a morte de alguém.

 

Não quero ver!

Falando da morte de alguém próximo, muitos de nós ficamos “em órbita”, sem saber como reagir, como encarar e como sentir a dor. Talvez façamos isso para não sentir essa dor, a da perda. Mas a morte, por mais contraditório que seja, faz parte da vida. É o último ato da peça “A Vida”, encenada no teatro “Planeta Terra”. E a morte precisa ser vista e encarada. É necessário que olhemos para ela, é necessário que sintamos a dor da perda, que nos sintamos culpados por não fazer algo para evitá-la, que relembremos os bons momentos, que choremos. Em outras palavras, devemos ficar em paz com o destino do morto e libertá-lo para o descanso final.

 

É um fato da vida e do Universo

Todos os seres vivos seguem uma contagem regressiva desde o nascimento: o cronômetro da vida. Para alguns é rápido e para outros mais lento, mas todos nós, fisicamente, vamos zerar o cronômetro da vida. E isso se estende ao Universo: hoje, os astrofísicos tem algumas teorias para a morte do Universo, mas o fato é que ele, como o conhecemos, não mais vai existir. Nossas coisas materiais se gastam e se deterioram, relacionamentos acabam etc. Ou seja, “vir a ter um fim” é um fato universal. Não há mágicas ou milagres, pelo menos até agora, que nos proporcione burlar esse fato: tudo e todos morrem.

 

Sofrimento

E quando tudo e/ou todos morrem, existe o sofrimento pela perda. Mas a causa do sofrimento não é a perda, nem sequer a morte. A causa é não aceitar o fato de que tudo e todos vão ter um fim, morrer. O cronômetro da vida não para até chegar ao zero. A vida é assim! Por mais difícil que seja, aceite a vida como ela se apresenta.

 

Desapegue, mas sinta saudade

Evidentemente, sentiremos a falta de alguém ou de algo que deixou de estar aqui. Mas não se sinta ligado a essa falta, desapegue da dependência emocional da falta. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer: “como fulano faz falta! ” Fulano já cumpriu a sua parte na vida! Deixe-o em paz com as coisas dele e fique, encare e se responsabilize pelas suas. Sinta saudades quando lembrar, quando olhar uma velha foto e dos bons momentos. Somente saudades e nada mais. Saudades é uma das formas do amor.

 

A única coisa que existe

É ele, o amor! Esse nunca se acaba, apenas se transforma. Ele existia antes de nascermos, com nossos pais, existe durante a nossa vida e pela eternidade toda! É o que devemos sentir pelo ente querido que se foi na forma de saudades. Desse modo, a morte, o fim de tudo e de todos, se veste de força que nos ajuda na caminhada da vida, a seguir. A vida não para. O cronômetro está girando... Ame e viva!

 

Francisco Eschiletti | Tutor em Constelação Familiar | Instituto Nelson Teston