Pais: seres humanos perfeitos?

Em 26/07/2017 , Comments

Exercício de imaginação

Você, ainda criança, pensando assim:

 - Pai! Mãe! Sempre pensei que vocês fossem seres humanos perfeitos. Estou espantado ao perceber que vocês são muito legais, mas têm muitas dificuldades pessoais e até no trabalho. Agora, que já estou com quase 6 anos (!?), vocês precisam me obedecer, para que eu possa ser agradado e não tenha a necessidade de aprender a lidar com as diferenças e dificuldades que possam me afligir. Sigam as minhas instruções para que a minha sabedoria e experiência os levem para um estado de perfeição, onde eu estou.

 

Como?

Parece um absurdo esta situação! Mas ela acontece. A criança parece um "ditador" querendo que os pais façam o que ela quer. Mas o faz por amor aos pais. Veja, os pais eram pessoas perfeitas e, de repente, se tornaram pessoas comuns, com problemas, conflitos emocionais e defeitos que, como crianças, nunca havíamos pensado que eles poderiam ter. Não são mais o "Super-Homem" e nem a "Mulher-Maravilha"! Esta percepção da não perfeição se torna um tipo de crítica, que sai da infância e vai para a vida adulta. É inconsciente. Fica no piloto automático.

 

Os filtros para a vida adulta

Não notamos, mas, atualmente, usamos os filtros para viver a realidade na vida adulta, numa forma parecida de ver o mundo quando ainda éramos criança. Sendo assim, se estamos impondo nossa forma de ver o mundo aos nossos pais, naturalmente estamos interrompendo a lei da hierarquia, que organiza, em nível de alma, todas as famílias. Há efeitos danosos, quando, desenfreadamente, temos uma vontade contínua de determinar como os pais precisam ser, qual o caminho ideal para eles e, até, como deve ser o comportamento.

Fica difícil compreender que os adultos raramente obedecerão aos mais novos. Tentar (eu disse “tentar”) dominar os mais velhos do que nós, não é uma tarefa fácil. E, no caso dos nossos pais, impossível. O grau de felicidade e de harmonia diminui, instantaneamente, toda vez que quisermos impor algo aos nossos pais. Não é o papel de um filho. Se alguém poderia fazer isto, seriam os avós, os pais dos seus pais. Lembra como você fazia quando o obrigavam a fazer algo que não queria fazer. Os pais dão as costas e lá vai a criança persistir no seu objetivo. Parece que os pais não a convenceram. Este mecanismo é natural em todo o ser humano. O problema é que, às vezes, fica sem limites, causando grandes discórdias e sofrimentos.

 

A Lei da Hierarquia

Esta lei, que organiza os grupos sociais e que atua de forma inconsciente, chamamos de Lei da Hierarquia. Uma forma de manter a ordem das famílias é quando os mais velhos são respeitados pelos mais novos. Ao contrário, gera uma sensação de pressão incômoda em todos membros daquele grupo familiar. Os mais velhos ensinam. Os mais novos aprendem. Assim, o grupo social familiar cresce saudável, com crianças que se preparam para ser adolescentes saudáveis e adultos mais corajosos e equilibrados.

Ou seja, quando a lei da hierarquia está equilibrada, a experiência adquirida pelos pais, quando filhos, é continuada e passada aos filhos destes para que se desenvolvam como pessoas equilibradas. Os pais sabem e reconhecem que aprendem muito, que se tornaram pessoas mais completas e se desenvolveram ainda mais diante da vida adulta, quando a lei da hierarquia esteve sendo obedecida.

Muito diferente de ver aqueles filhos ensinando tanto aos pais, de forma espontânea e sem freios. É natural que se tornem controladores, tentando manobrar a vida daqueles que lhe deram a vida e, quiçá, de outras pessoas. Respeitar a hierarquia familiar, onde os mais velhos ensinam aos mais novos, gera muito aprendizado. Mas não é um aprendizado agradável, quando os mais velhos são controlados pelos mais novos.

 

É para a vida toda!

Esta oportunidade que a família nos entrega, vai ser levada para a vida toda. Você aprende a lidar com a força dos superiores e usar a sua própria força na sua relações com eles. Você, ainda, tem a vantagem de saber conviver bem com os seus liderados, sem necessitar provar ser superior para se sentir melhor. Esta atitude, este comportamento, gera sucesso nas relações amorosa e afetiva e, inclusive, no sucesso profissional e financeiro.

Se você reconheceu que busca criar situações em que os seus pais continuem o agradando, o servindo e com vontade de aperfeiçoar este comportamento destrutivo, é natural que fique chocado.  Olhe para o que se apresenta e faça algo bom com tudo isto a partir de hoje. Queremos retribuir aos nossos pais pela vida que recebemos. E tentar, como uma criança, aliviar os seus sofrimentos é uma forma de amor. Um amor ainda na fase infantil, mas é amor.

Quando olhamos para os nossos pais compreendendo que são pessoas como nós, com as mesmas dificuldades, anseios, desejos reprimidos, sonhos que se foram. Então, podemos olhar com o amor adulto, aquele que ama muito, apoia, é presente e liberta. Experimente baixar a cabeça para os seus pais, acolhendo-os em seu coração. Lembre-se: os seus pais não são os seus filhos. O pai quer poder ser pai e a mãe só quer ter a oportunidade ser mãe. Simples.

 

Um pequeno exercício

Experimente dizer agora para os seus pais:

  • Pai! Mãe! Eu paro de criticar. Eu paro de querer que vocês sejam como eu acho que devem que ser. Vocês são como são. Você é o pai certo para mim. Você é a mãe certa para mim. Façam como quiserem em suas vidas. Eu não posso ser a mãe de vocês. Eu não posso ser o pai de vocês. Eu sou sua filha. Eu sou seu filho. Vocês chegaram primeiro e eu cheguei depois. Um grande amor nos une. É assim que é!

 

Para guardar no coração

Mesmo quando não estão mais por aqui, os mais velhos nos ensinam sempre. 

Que a compreensão profunda da hierarquia e do amor na família traga paz ao seu coração e firmeza aos seus passos, nessa experiência que chamamos de vida.