Sua alma vê!

Em 21/02/2018 , Comments

Solução e imagem

Quando uma constelação se encaminha para o fim, isto é, quando todas as pessoas que estão participando, representantes e consulente, estiverem se sentindo bem nos lugares, estiverem com seus rostos tranquilos ou respirando profundamente, então temos a solução. Ou seja, a imagem da solução é aquela em que os participantes ficaram e se sentiram muito bem.

 

A imagem da solução

Terminados os movimentos e quando todos estão felizes e tranquilos em seus lugares, temos a imagem da solução. E esta imagem é extremamente poderosa e libertadora. Ela precisa ser vivenciada, pois para o consulente ela tem grande força e dá a sustentação necessária para a solução da sua questão. Essa imagem, de alguma maneira, consciente ou inconscientemente, fica gravada e leva a alma do consulente, como uma bússola, através dos mares revoltos das dificuldades, mesmo que na constelação tenha acontecido alguma perturbação. Entretanto, às vezes, a imagem da solução não tocou suficientemente a alma do consulente e tampouco soluciona algo, quando ele pergunta “ o que faço agora? ” Isso nos mostra que o consulente não se entregou ao campo e a vivência da imagem da solução foi superficial.

 

Deixando fluir

Então, numa constelação, é preciso se entregar ao campo, sem se preocupar em racionalizar os efeitos. Deixar fluir o que a alma diz e quer. O facilitador precisa ter a sensibilidade de perceber os efeitos ‘de alma’. Ele pode fazer algumas perguntas sistêmicas aos participantes, para confirmar esse efeito, ou pode observar o estado de tranquilidade e satisfação em que os participantes estão. Todavia, esse fluir de alma da imagem da solução é ímpar. Ou seja, cada pessoa o assimila em tempos diferentes: alguns entendem na hora a solução, enquanto outros a entendem uns dias mais tarde.

 

Bem resolvida?

Por mais bonita e eficaz que uma imagem de solução possa ser, vez ou outra, o facilitador a corta antes do fim: deixa a constelação sem a solução, a deixa ‘não bem resolvida’. Isso ocorre quando o consulente reluta em assumir o que a constelação mostra. A interrupção faz com que a constelação fique sem solução, mas faz com que as forças de solução da alma sejam estimuladas e venham à tona para o consulente. Evidentemente, o facilitador deve estar em sintonia com o que está acontecendo na constelação e perceber que precisa fazer esse movimento de corte.

 

A imagem da solução completa

Nem sempre a imagem da solução precisa estar completa. Não há necessidade de se colocar todas as pessoas do sistema. Mas o consulente pode pedir para incluir alguém que sua alma está sentindo falta ou até mesmo o facilitador pode incluir elementos que, aparentemente, não são importantes para a solução, mas a deixam mais inteira e forte. Também é possível que a imagem da solução indicada pelo facilitador não seja aceita pelos participantes. Aí, é muito provável que algo esteja faltando e o campo o exige: um fato importante, uma informação crucial ou alguém. Assim, o facilitador precisa estar sintonizado com o campo e perceber o que falta e completar o trabalho, trazendo a imagem da solução. Entretanto, algumas vezes, o facilitador pode interromper a constelação, devido ao fato de que a energia do campo se dissipou, pois as dinâmicas e situações pesam bastante aos participantes. De todo o modo, o facilitador precisa estar sempre sintonizado com a solução, mesmo que esta esteja se escondendo.

 

A solução é como eu acho!

Alguns consulentes e até mesmo os representantes, podem achar que uma determinada imagem da solução é a melhor, pois é bem recebida pelo grupo. Contudo, a imagem ‘boa para todos’ vai de encontro direto às leis sistêmicas, as quebram ‘descaradamente’. Nesse ponto, o facilitador precisa ter tido um ótimo treinamento e um pouco de experiência, para notar que a constelação está sendo dirigida para a solução que, de modo geral, o consulente acha que é a melhor. O facilitador, necessariamente, precisa seguir três princípios básicos para realizar uma constelação: princípio do não julgamento, do não ter pena e não ter amor (somente o amor adulto conta aqui). Se o facilitador se deixa levar pela solução do consulente, ele está com pena deste pelo que passou e não resolverá o problema. O facilitador está julgando o consulente como sendo a vítima dos fatos e dando uma ‘colher de chá’, sendo ‘bonzinho’. Problema, da mesma forma, não resolvido. O facilitador está tendo o amor infantil pelo consulente e concordando com este. Mais uma vez, o problema permanece.

 

Constelando em harmonia

A imagem da solução, assim como o método da constelação, precisa se adequar a cada tema trazido: cada constelação é uma constelação diferente. Ou seja, todo o processo precisa ser equalizado, desde a imagem da solução às palavras ou frases sistêmicas. Tudo precisa estar em harmonia com o que a alma dos participantes quer para estar em paz. E, comumente, imagens são fortes para as pessoas, mas precisam de algumas palavras certas nos momentos certos, para que a alma perceba o essencial e fique bem, em paz. Quando for constelar, entregue-se ao campo! Sua alma agradecerá!

Francisco Eschiletti | Tutor em Constelação Familiar | Instituto Nelson Teston